
No dia 23 de outubro de 2009, pela parte da tarde, os professores de Língua Portuguesa e Matemática tiveram mais um encontro do Gestar II. Num primeiro momento o encontro aconteceu com as duas áreas. Após as boas vindas, cada professor recebeu uma palavra para falar sobre ela (superação, expectativa, trabalho em equipe, aprendizado, autonomia, disciplina, harmonia, motivação, criatividade, persistência, confiança, determinação, liderança), e em seguida compartilhá-la com um colega. Depois reunir-se com outra dupla para relacionar o sentido da palavra com o Programa do Gestar II. Depois retomamos as datas dos encontros e falamos sobre aplicação dos projetos nas escolas, os quais serão apresentados no último encontro. Também recebemos uma pequena lembrança (um lápis da Uni Ritter) pelo dia do professor.
Concluída a primeira parte dos trabalhos os professores de Português e Matemática se dirigiram a diferentes ambientes para continuarem os estudos dos TPs. Começamos com a leitura do texto: ”Retrato de velho” de Carlos Drummond de Andrade. (Tp1 – p.14), para depois falar sobre variedades lingüísticas.
No decorrer do debate ficou claro que a língua tem caráter dinâmico, como revela também a constante evolução da sociedade e de sua cultura, refletida sempre na língua. Esta, por sua vez, em constante construção pelos seus usuários, acaba por transformar as relações humanas e, portanto, a cultura e a sociedade. Vemos, portanto, que sociedade, cultura e língua são construções históricas dos sujeitos. Influindo umas sobre as outras, essas três “instâncias” estão em constante processo de transformação.
A cultura, entendida como o conjunto de formas de fazer, pensar e sentir de uma pessoa ou de uma sociedade, é uma construção histórica e varia no espaço e no tempo.A língua é, ao mesmo tempo, a melhor expressão da cultura e um forte elemento de sua transformação. A língua tem o mesmo caráter dinâmico da cultura.A língua tem regularidades, um sistema a ser seguido. Mas, como é um sistema aberto, a língua oferece inúmeras possibilidades de variação de uso, que criam, junto com o contexto, interações sempre novas e irrepetíveis.
Depois trabalhamos com o texto “Conta de novo a história da noite em que eu nasci” de Jamie-Lee Curtis. Ótima sugestão para se trabalhar com alunos, com certeza o texto dará pano pra muita manga e pode ser aproveitado em qualquer série.
Em seguida lemos, estudamos e comentamos os textos: “NÓIS MUDEMO” de Fidêncio Bogo, e “PECHADA” de Luis Fernando Veríssimo, comparando-os e relacionando-os com a prática de sala de aula.
O texto literário caracteriza-se como aquele que apresenta liberdade completa no uso das variantes da língua. O autor pode empregar a norma culta ou o dialeto popular, o registro mais formal ao mais informal, tudo vai depender de suas intenções, do assunto, do ambiente e dos personagens retratados. Cada texto literário é que vai criando os limites e a adequação de cada escolha do autor. A oralidade e a escrita são as duas modalidades (ou realizações) da língua. Para relaxar um pouco, e continuando a ver o texto literário, lemos e conversamos sobre o texto “Sexa” de Luis F. Veríssimo.
SEXA
– Pai...
– Hmmm?
– Como é o feminino de sexo?
– O quê?
– O feminino de sexo.
– Não tem.
– Sexo não tem feminino?
– Não.
– Só tem sexo masculino?
– É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
– E como é o feminino de sexo?
– Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
– Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.
– O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra “sexo” é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.
– Não devia ser “a sexa”?
– Não.
– Por que não?
– Porque não! Desculpe. Porque não. “Sexo” é sempre masculino.
– O sexo da mulher é masculino?
– É. Não! O sexo da mulher é feminino.
- E como é o feminino?
– Sexo mesmo. Igual ao do homem.
– O sexo da mulher é igual ao do homem?
– É. Quer dizer... Olha aqui. Tem sexo masculino e sexo feminino, certo?
– Certo. São duas coisas diferentes.
– Então como é o feminino de sexo?
– É igual ao masculino.
– Mas não são diferentes?
– Não. Ou são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.
– Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
– A palavra sexo é masculina.
– Não. “A palavra” é feminina. Se fosse masculina seria “o pal...
– Chega! Vai brincar, vai.O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:
– Temos que ficar de olho nesse guri...
– Por quê?
Em seguida fizemos os relatos dos avançando na prática, os quais como sempre foram muito esperados por todas, visto que são experiências que enriquecem o trabalho.
Realizamos, em seguida, o estudo da crônica:” A outra Senhora” de Carlos Drummond de Andrade. (TP1 p.169), depois socializamos as questões.
Boa sugestão de texto para ser trabalhado com alunos:UMA SEMANA E VÁRIOS PONTOS DE VISTA. O texto a seguir faz parte da propaganda da revista Época, e foi criado pela agênciaW/Brasil.O publicitário imagina o ponto de vista que vários seres teriam sobre o significado de uma semana.
UMA SEMANA E VÁRIOS PONTOS DE VISTA
Para um preso, menos 7 dias
Para um doente, mais 7 dias
Para os felizes, 7 motivos
Para os tristes, 7 remédios
Para os ricos, 7 jantares
Para os pobres, 7 fomes
Para a esperança, 7 novas manhãs
Para a insônia, 7 longas noites
Para os sozinhos, 7 chances
Para os ausentes, 7 culpas
Para um cachorro, 49 dias
Para uma mosca, 7 gerações
Para os empresários, 25% do mês
Para os economistas, 0,019 do ano
Para o pessimista, 7 riscos
Para o otimista, 7 oportunidades
Para a Terra, 7 voltas
Para o pescador, 7 partidas
Para cumprir o prazo, pouco
Para criar o mundo, o suficiente
Para uma gripe, a cura
Para uma rosa, a morte
Para a História, nada
Para a Época, tudo.
- Por que, para o preso, uma semana significaria menos 7 dias?
- E para o doente, por que mais 7 dias?
- Para os sozinhos, haveria 7 chances de quê?
- Que culpa sentiriam os ausentes?
- Por que, para um cachorro, 7 dias se tornariam 49 dias?
- Por que os empresários teriam um ponto de vista matemático?
- Que conta foi feita para ser possível dizer que 1 semana seria 0,019 do ano para os economistas?
- Por que se afirma que 1 semana foi suficiente para criar o mundo?
- Por que, para uma gripe, 1 semana significa a cura e, para uma rosa, a morte?
- Por que 1 semana não significa nada para a História?
- Qual é o seu ponto de vista? Para você, o que significa uma semana? Pense no assunto e escreva esse texto. Você pode apresentar um só ponto de vista, ou vários, em forma de lista.
CURIOSIDADE: O texto afirma que, para uma mosca, são sete gerações porque determinadas espécies desse inseto nascem, tornam-se adultas, reproduzem-se e morrem em apenas um dia. Em uma semana, nascem 7 gerações.